Gosto de música instrumental porque não tem letra, sabia? As palavras, às vezes, e dependendo dos casos, meio que atrapalham. E isso me cansa um pouco. Hoje não me dou ao luxo de me cansar mais que o necessário. Acredite. Prometi a minha alma calejada que não a faria mal outra vez. Quanto a meu coração, prometi que não lhe enganaria mais - nunca mais. E a meu pobre analista, prometi que o orgulho não mandaria mais em minhas decisões; nesse sentido, meus amigos, saibam que tenho feito o possível pra realização de tal empreita. Eu juro! E né que tem dado certo? Uma coisa tem levado à outra, por exemplo: não me enganando, logo não irei me cansar (peço aos meus amigos filósofos, por gentileza, que dêem um desconto quanto à análise formal das premissas que estou prestes a vos expor) agora voltando: se não me canso, não preciso colocar em uso meu pretenso orgulho e minha pobre alma não volta ao ressentimento, e por aí vai...
No entanto, ninguém obra milagre, né verdade? Minha limitação é evidente e não posso dar um passo maior que a perna, entende? Só faço o que posso (até porque não sou santo) e não jogo mais porque, já disse, isso cansa e se me cansa... Por aí vai...
Aliás,quero que saibam que adoro música instrumental.Tal vez porque esse tipo de música não usa palavras desnecessárias. Se o título diz, por exemplo:
EU TE AMO. O que mais você pode esperar do diabo da melodia dessa canção? Não adianta você escrever a porra de uma carta pro compositor perguntando o que ele queria dizer na música. Não adianta. Tá lá e pronto. Não há jogo por trás. Não há jogo e não há tão pouco o que se inventar. Agora, se fosse uma canção qualquer, súbita, dessas que a gente vê todo dia, aí sim! Mas ainda precisar de frases e mais frases pra entender aquilo que há de mais imediato... me poupe! Até parece que você não entendeu os dias que passou junto aquele compositor! Olha, sinceramente: ta escrito lá! Não invente, por favor. Só assim você não se cansa e se você não se cansa... por aí vai... por aí vai...
Everardo de Oliveira.
“Como enfermeiras em filmes de guerra e violinos em canções de amor”