sexta-feira, 25 de maio de 2012

Toda madrugada eu peço a Antonico que tire a porra dessa música
 (é que ela sempre me da vontade de chorar, sabia?)

terça-feira, 22 de maio de 2012


Sobre as mãos
[Terceira e última parte de um caso às avessas]

Chovia pouco em Belo Aquário (cidade natal de Antonico), mas quando chovia, as pessoas enveredavam pelas ruas e até dançavam em meio ao vazio deixado pelas águas que cursavam tal cidade. Ele, desde menino, apreciava quando chovia e não era fácil de se dizer alguma coisa que mais o entusiasmasse. Nesse sentido, numa dessas andanças molhadas, Antonico conhecera Sara Belarmino! Moça de família humilde e que também sabia que a menina amava bailar em meio à chuva. Daí (Que formidável!) se esbarraram em uma pracinha em pleno fim de tarde; Antonico sem camisa e Sara com um vestido preto todo colado ao corpo – devido ao banho que estava tomando, óbvio. Nesse lugar, só restavam os dois, com exceção de uma discreta senhora que (Deus sabe como) ainda estava a desmontar uma banca que, a propósito, vendia maças do amor (conhecem?). E não é que ela cantava uma canção baixinho enquanto pelejava pra desmontar suas coisas? Se bem me lembro, era uma música recente de uma cantora que fazia demasiado sucesso nas rádios de todo interior nordestino. No entanto, Sara e Antonico, mal perceberam a saga da pobre senhora e trocaram de início alguns olhares... enquanto circulavam pela praça aproveitando a tão aguardada chuva.
E chovia forte no instante em que ambos perceberam que não restava mais nada a fazer que não fosse cumprimentar um ao outro – já que estavam ali há tanto tempo, né? Sara havia sorrido, mas ele de início não notara direito e preferiu se aproximar do centro da praça, exatamente onde ela estava, e gritar: “Que chuva doida, né?” E sara, com as mãos na nuca, disse: “perto do posto!”. Ele começou a rir, pois percebera que ela entendera errado e chegou mais perto, a fim de ver-lhe melhor e reformular sua fala: “pensei que era o único aqui que não tinha medo de se molhar”. Sara, também rindo, deu dois passos em sua direção e respondeu: “Aqui em Belo Aquário nada mais me surpreende! Prazer. Meu nome é Sara...”.  Antonico, sempre péssimo com as mulheres, não soube o que falar e deu de ombros sem saber sequer o que expressava; pensou em convidá-la pra andar juntos, mas ela o fez primeiro.  “Vem! Vamo andar... esse instante é raro - e as palavras atrapalham o proveito”. “Com certeza!” – ele respondeu. E começaram a andar pela praça e, às oito da noite, a chuva finalmente parou. Daí que sentaram-se no gramado e ela beijou-lhe a face dizendo que já o conhecia de vista e Antonico (como num milagre!) olhando bem dentro dos seus olhos, lhe falou: “ E eu creio que já te conheço de vista, mas desde outras vidas a mais...” Beijaram-se, pois, e foi assim que teve início o primeiro e mais incrível caso sentimental da vida de Antonico da Vila Calma! Que durou, aliás, exatos oito anos e nenhum dia, além disso. Todas as quartas, eles iam à praça, visto que fora assim que se conheceram. Quando Sara o deixou, Antonico tornou-se dono de um espírito triste e um ávido frequentador daquela pracinha - agora não mais semanal, mas sim diário.
Sozinho e em prece por outra chuva (visto que aquela – acreditem- fora a última em Belo Aquário) Antonico sentava-se ali no chão rememorando cada gesto dela e cada movimento daquela noite gélida e sem retorno, a mesma em que ele ficara preso. De algum modo, era irracional, mas todos os dias aquela mesma senhora que desmontava a banquinha, dizia-lhe: “meu filho, brevemente choverá! Faça a barba, pois quando sua moça vier... creio que isso não é estado de se receber tão estupenda pessoa...”. E Antonico todo dia ali voltava! Na humilde e forte esperança de ver seu amor, Sara, em regresso... em regresso... (triste, não?)

                      Everardo de Oliveira.
...............................................................................................Texto verdadeiramente dedicado àqueles que, com elegante discrição, ainda olham pra cima (esperando chover, é claro...)


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Nos rios da memória [não há perdão], mas há rios de querê-la...

Não era chacota! Sentia uma falta inexplicável do seu corpo perto do dela e não tinha a menor pretensão de esconder tal fato. Ficava por horas olhando sua boca fechada e seus olhos pro chão - como se ali ele estivesse a contemplar o Absoluto descrito por Hegel na Fenomenologia do Espírito. Na verdade, amigos, ela era a única determinação do sentido das coisas que formavam o universo dele. Ela! E nada mais nesse mundo. Seus gestos, seus passos, seus olhos e tudo mais que a completava. Ela! Dona de um efeito sobre ele que nenhum outro fenômeno na natureza poderia ser capaz um dia de igualar-se sequer de longe. Era a essência dos verbos, do pensamento, dos atos e fatos que formavam sua estrutura existencial. Como eu disse, ela! E ninguém mais.
E Antonico da Vila Calma, em seu mais alto nível de doçura, orava a cada instante que aqueles sonhos – que apesar de raros, ainda haviam- voltassem, porque neles podia claramente sentir sua pele de moça bonita... e deslizar sua mão com a sutileza de quem observa um autêntico anjo em seu cochilo, sobre sua face e seu busto de deusa radiante; dona dos elementos fundamentais que compõem o significado da palavra amor! Era ela, senhores! Não restava dúvida nenhuma. Com aquele seu cabelo preso e de mãos que, de tão leves, mais pareciam uma folhinha voando pelos parques do céu em pleno outono ventoso que só quem ama pode imaginar tamanha sutileza...
Era esse o amor de Antonico: a mais bela entre todas das mulheres do planeta! E ele, aliás, colocaria logo-logo um filho em seu ventre e não esperava outra coisa em sua vida a não ser isso. Casaria com ela nem que fosse o único pedido que tivesse que fazer ao Deus imaculado que rege esse universo que nos acolhe. Não tinha escrúpulos nenhum e pouco se importava pro que as pessoas achassem daquilo que sentia. Ela era a verdade e o sentido das coisas que compunham o mundo. Atrás de si, as coisas eram desbotadas e difíceis de se enxergar. Um anjo! E, a propósito, o único que sobrara na humanidade! Era mais que uma mulher – era a relação de atributos que formavam o conceito de divindade. Somente ela e nenhuma outra. Não gostava muito de beijar-lhe a boca! Nunca gostara, de fato. Beijava-lhe os lábios, os olhos e finalmente as mãos! Seu coração saltitava perto de seu corpo e a mínima percepção que ela se aproximava causava a Antonico um estremeço capaz de tirar-lhe o fôlego e a circulação do sangue que deveria correr por suas veias.
Era ela, meus amigos! A pura determinação do ser em si e por si que por séculos os filósofos tentaram compreender com clareza! E Antonico fora o único homem que pudera experenciar tal sensação! O único! Sua falta não lhe amargurava por completo, visto que volta e meia ela lhe telefonava, mas a falta mesmo que o afligia era do calor de sua fala e de seus abraços fortes que esmagavam sua respiração e traziam-lhe um completo e honesto sorriso aos lábios - porque pedia a Deus que aquele instante jamais acabasse! Quando ela lhe abraçava (toda vez!) Antonico ria consigo mesmo e dizia: que me importa se o mundo acabar daqui pra frente!? Vivi mais que qualquer homem nesse planeta... e com você, meu amor, nos meus braços, eu tornaria a viver cada parte dessa dor novamente em minha pobre e mísera existência de homem sem sentido! Mas pra quê sentido, se o amor rouba-nos qualquer possibilidade de pensarmos racionalmente? Pra quê sentido? Se a simples visão de sua existência já responde e preenche qualquer dúvida que eu poderia ter sobre o intuito de minha vinda a esse mundo? Agora nos imagino numa madrugada escura, repleta de álcool, onde te canto uma canção escrita prum dueto e prometo cuidar do teu filho e protegê-lo dos perigos do mundo e de tudo mais que vier. Logo à frente, num abraço embriagado, choramos e te digo: Te amo, sabia? Te amo... 
                     .......................................................................................................... everardo de oliveira...“como enfermeiras em filmes de guerra e violinos em canções de amor”.............................

quarta-feira, 9 de maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012


- Dentro da tempestade todo filósofo zomba! 
[visto que não sabe dançar]


Nenhum filósofo sabe dançar! É verdade! Ao filósofo nada lhe é mais próprio do que a zombaria. Nietzsche, pobre coitado, creio que não quisera, de fato, um Deus que dançasse... Queria era que ele próprio pudesse dançar com Lou Salomé! (mas por essa vocês não esperavam) Porque pouco importa se há um Deus que dança ou se as pessoas comuns dançam também! O filósofo, em geral, só trata com gozo da zombaria, somente isso lhe causa tremendas farturas no ego! Ele não ama versos e nem coisas do tipo; ao filósofo só resta aquilo que ele viu e que ninguém mais poderia ver: a tragédia do real! Sim, a tragédia estende as mãos às alturas e busca cada um daqueles espíritos que tenta vos escapar. Cito como exemplo as fardas que eles (digo nós, no caso) trocamos diariamente! Os endereços, as faces e os gestos! Todo filósofo, em última análise, é um moribundo! Todo filósofo, aliás, já morreu e vaga em seu silêncio diário sem ter sequer a coragem de querer dar-se conta de tal ocorrido. Mas eu não, meus amigos! Eu bem sei que o destino é somente esse! E nem rogo pelas migalhas das orações alheias! Olha, eu escuto Deleuze falando que é típico mesmo do filósofo o magnífico e intocável Conceito! Mas não é! E de jeito nenhum, camaradas! (a propósito, é quase anal, sabia, o prazer que a filosofia tem pelo Conceito! Mas que horror, gente! Que horror!) esquecem-se, pois, que típico do espírito filosófico é somente a tempestade e nada mais! O Conceito é secundário perto do fervor espiritual do pensar. Anotem aí: Não se escolhe entrar na Odisseia! Não se escolhe ouvir os cantos das sereias (aliás, pobre Ulisses, deveria ter ouvido enquanto pôde!)... Mas talvez ele soubesse que os cantos não são e nunca serão pra nós! Nem tampouco os campos verdes nos trazem nada, nem as primaveras e os lugares entupidos de almas belas ou estreitas! Nada! Nada pode colorir a alma do filósofo enfadonho (mas como se todos já não o soubessem, né verdade?).
Mas ele, ao contrário do que se possa concluir, né triste mesmo não! (defina triste! Dirão meus colegas! Posso ouvi-los daqui...) Ele é, na verdade, um tanto marrento! É um lixo só, mas se não lamenta! Agradar-me-ia dizer que o filósofo vinga-se é no alto riso que esboça aos quatro ventos por aí! Ninguém, pelo menos em sã consciência, ama um filósofo e ele sabe disso! Desse modo, ele fala, fala e torna a falar mais alto até que as pessoas saiam de perto e o chamem de louco! Mas se todo filósofo é louco, isso eu não sei, mas que rir é típico dos loucos e igualmente típico do filósofo no auge de seu determinar ontológico, isso eu sei e posso dizer aos senhores que sim: nesse caso, ambos, me perdoem, são iguais! (pior pros loucos, aliás!) Mas o que eu quero dizer mesmo é que nenhum filósofo dança e sequer tem vontade de dançar, a não ser dentro da tempestade... que é o lugar onde ele enxerga de perto as coisas como elas são: estúpidas, tudo verdadeiramente estúpido! Dos lírios ao sepulcro: Tudo! E como não haveríamos de rir de uma coisa dessas? A vida, em sua mais aberta fossa de asneiras seculares, me diz que quanto mais o filósofo pensar que sua sanidade depende de seus trajes de bom cidadão, mais o véu da doença que levou todos os nossos ancestrais estará em nosso encalço dia pós dia! Escutem o uivado que chegou com a noite! Escutem! Desde menino que ele me acompanha! Às vezes penso que Zaratustra andou errado, sabia? Demorara tanto pra subir a montanha e em tão pouco tempo colocou-se a descê-la! Como que descer, rapaz? Volte pra lá cima! Que desfeita consigo mesmo, ora mais! Nossa idade é somente a idade do camelo e você sabe disso, meu caro! Volte pra cima que em pouco te acompanho! Ai de mim se todo esse escárnio um dia se tornasse luz! Se todos esses conceitos se tornassem presenças – já pensou? Presenças! (há quem diga que o ser-aí é chamado também de presença, né verdade? Mas como?! Se nós filósofos detestamos a presença?) perdoe-me novamente aqui! Preciso de uma pausa urgente pruma gargalhada depois dessa confissão! Amanhã cedo talvez vocês me matem por contar nossos segredos por aqui, pensam que não sei? Nem ligo. Ei! Vocês se lembram que Sócrates supostamente não entendera por que choravam perante seu julgamento? Não? Mas como não, amigos? vocês sabem, só não querem pensar sobre isso! Todos aqui sabemos que Sócrates zombara da morte, zombara até da porra da cicuta, quicá dos que o condenaram! Jesus também zombara (meu reino não é desse mundo, lembra? ou seja: “ lero, lero, isso nem me causa danos!” Disseram os dois - frente à morte... ambos também não curtiam a presença...).
Em suma, troquem as roupas, as bebidas, as casas, mas lembrem-se de mim! Lembre quando o véu cortante e inteligível da condição humana recair sobre suas pobres e imundas cabeças na madrugada! Mas nem dói em nenhum de nós, pois sabemos pra que viemos! Viemos pra cá já sabendo o que nos aguardava: o amargo diário e o diário disfarce de pensar que escaparemos ilesos, um dia, se Deus q         uiser, de todo esse lixo que nos rodeia e nos suja, só que esse mesmo lixo não se cansa JAMAIS de pedir mais cuspes na cara porque sabe que é isso nós somos: máquinas de cuspir asneiras e desaforos ( Ecce Homo, Cavalheiros,   Ecce Homo!) nada mais que isso: um sonho mal vivido e sem escrúpulos nenhum! Se a vida do filósofo fosse um livro, deveria ter a seguinte dedicatória: À tempestade! Pois somente ela aceitou dançar comigo... 



        


segunda-feira, 30 de abril de 2012


            Sobre as mãos! (Parte Dois, claro)
Havia amanhecido e lá estava Antonico pensando nela. Era assim desde o mês passado, mas não ousava dizer-lhe. Dessa vez queria fazer as coisas de um modo mais cauteloso (mal sabia que talvez já fosse tarde demais pra fazê-lo). Gostava certamente daquela moça e pretendia de algum modo não gostar. Semana passada andara pela casa na ânsia de que o telefone tocasse nem que fosse ao menos pra ouví-la relatar qualquer coisa rotineira do emprego. Entretanto, era de praxe, quando a noite chegava, ela ligava pra dizer dos vários pretendentes que havia mandado embora e ele rezava pra que não se tornasse um entre aqueles. E ela ria enquanto relatava a saga dos moços que a queriam. Ele ria junto tentando esforçadamente transparecer um suposto desinteresse de sua parte, mas era óbvio que seu desejo era imediato e mal via a ocasião de dizer-lhe tudo isso pessoalmente. Faltava a Antonico, pobrezinho, forças suficientes pra realizar seus doces intentos.
Outro dia o convidara pra almoçar e ele certamente que aceitou de bom grado. No entanto, passou a maior parte do tempo observando como seus lábios se movimentavam e se perguntou como deveria ser o modo e os gostos do seu beijo, mas a moça só tinha tempo pra contar dos prejuízos que tivera recentemente por conta do cartão de crédito, ou coisa do tipo; Antonico, por sua vez, sorria abobalhado tentando transparecer que entendia perfeitamente e que, aliás, estava era atravessando os mesmos problemas que ela (o que vocês já devem pressupor que não ocorria, de fato) Mas ela não é tão má assim não, gente. Às vezes passavam horas ao telefone e a madrugada oferecia continuamente um timbre sutil à voz dela... algo que logo cravou-se imediatamente na memória afetiva de Antonico que há dias que estava indo pra cama rememorando cada expressão dela com aquela voz de menina com sono, mas que não quer dormir. Meus amigos, creio que ele encontrava-se, pois, em uma paixão decidamente nova em sua existência! Faltava-lhe apenas um auto-reconhecimento de seu estado emocional. E isso pra mim ficou mais claro ainda quando ela, finalmente, decidara visitar sua casa levando alguns documentários no intuito de que pudessem assistir lado a lado durante a noite. Antonico buscou forças, Deus sabe onde, pra poder não se mostrar ansioso pra tal visita. Na cama, ela lhe disse dos moços que sempre tentaram beijá-la sem grandes sucessos, ele deitou-se e riu (na verdade, estava era pensando rapidamente como agiria naquele instante demasiado confuso) ao que parece, ela notara e findou por perguntar a quantas que andava seus casos passados. Antonico rapidamente (e vocês não podem sequer imaginar) lhe disse que estavam todos! (e não restava um sequer!), mas todos soterrados! Seu coração, entretanto, queria era dizer àquela moça de cabelos cumpridos e olhos centrados que não havia mulher nesse mundo que ele desejasse mais que ela! Ah! Mas sabia que se o dissesse a perderia certamente de uma vez por todas (visto que as mulheres são todas assim, me perdoem as feministas de Platão, digo, plantão).
Bem, a verdade é que Antonico fizera algo demasiado ímpar! Não tentara beijá-la em nenhum instante sequer! Fez de conta que não a queria e quando fora deixá-la à porta, tentou não esboçar maiores reações quando ela lhe disse que iria telefonar ao chegar em casa. Tudo bem – disse ele. E ela ligou. Mas ele atendeu logo na primeira chamada! (Ai! pobre Antonico – sempre estraga tudo, gente) Já pela manhâ, ela lhe falara que iria passar o fim de semana inteiro fora. Quase que enfarta! Quase que morre, meu Deus! E inda por cima, pensou em questioná-la: “o fim de semana inteiro, porra?!”, mas como sempre fez de conta que não se importava. E aqui estamos nós: Há um dia que a moça viajara e Antonico mal consegue dormir pensando nessa mulher. Lascou-se de uma vez. E estará mais lascado se ela puser os olhos nessa carta. Vocês, a propósito, tenham a imensa decência de não avisá-la do que se passa, viu? (Antonico me mataria se soubesse que eu disse a vós). No mais, estou indo embora. Passarei em sua casa mais tarde pra saber se já consegue ao menos dormir, quem sabe. E até a próxima, meus amigos. Até a próxima.


Everardo de Oliveira.

“Como enfermeiras em filmes de guerra e violinos em canções de amor”




quarta-feira, 25 de abril de 2012


"com dois meses de viagem eu vivi uma vida inteira"