sábado, 11 de dezembro de 2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

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“[...]O certo é que eu me confino a pensar dia após dia, que eu decido o que deve acontecer amanhã, e nenhum dia a mais! Parece que eu desaprendi a desejar, sem ao menos sequer tentar.”

(Nietzsche- Turin, 23 de Maio de 1888)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sobre o eterno retorno (e derivados,claro...)

"Se um dia ou uma noite, um demônio se esgueirasse até você e, penetrando na sua mais solitária solidão, lhe dissesse: "Esta vida, da maneira como você vive agora e já viveu antes, você terá que vivê-la mais uma vez e outras inumeráveis vezes; e não haverá nada de novo nela, mas cada tormento e cada alegria e cada pensamento ou suspiro e cada coisa imensuravelmente pequena ou grande em sua vida, deverá retornar a você — tudo na mesma sucessão e seqüência..." Como não atirar-se ao chão, rangendo os dentes e amaldiçoando o demônio que assim lhe falou? Ou você alguma vez já experimentou aquele formidável momento em que teria respondido a ele: "És um deus, e jamais havia escutado algo mais divino."... Como teria você se tornado tão bem disposto perante você mesmo e a vida para chegar a não desejar coisa alguma mais ardentemente que este supremo desígnio e esta confirmação eterna?" (Nietzsche)

sábado, 9 de outubro de 2010

Luto e Melancolia

"O melancólico exibe ainda uma outra coisa que está ausente no luto uma diminuição extraordinária de sua auto-estima, um empobrecimento de seu ego em grande escala. No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio ego. O paciente representa seu ego para nós como sendo desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível, ele se repreende e se envilece, esperando ser expulso e punido. Degrada-se perante todos, e sente comiseração por seus próprios parentes por estarem ligados a uma pessoa tão desprezível. Não acha que uma mudança se tenha processado nele, mas estende sua auto-crítica até o passado, declarando que nunca foi melhor. Esse quadro de um delírio de inferioridade (principalmente moral) é completado pela insônia e pela recusa a se alimentar, e o que é psicologicamente notável por uma superação do instinto que compele todo ser vivo a se apegar à vida."

Freud in "Luto e Melancolia"

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Demoro séculos pra escrever aqui, eu sei. Na verdade, meus dias foram (ou são) mergulhados em um tipo de intensidade demasiado exaustiva que se fosse preciso relatá-la constantemente eu seria constrangido, sem sombra de dúvida, a enxergar os caminhos tortos que escolhi pra viver e (convenhamos) não é isso que ninguém quer da vida, ou seja, tirar a sujeira debaixo do tapete e esfregá-la na própria cara... Acho mesmo que é isso aí que Cazuza sempre expressara quando disse que iria pagar a contar do analista, sabia?... Quer dizer, deixar fluir é em última análise extremamente necessário na porra dessa vida.
Entretanto, meus amigos, quando me coloco frente a essa máquina pra escrever não me parece que isso seja algum tipo de exercício que possa manifestar algum tipo de alegria em mim. Pelo contrário! O que me provoca alívio imediato está infelizmente distante dos meus braços (se é que vocês me entendem...). No entanto, a escrita aqui, pelo menos pra mim que fui adestrado de modo firme pra saber reluzir cuidadosamente os velhos conceitos clássicos (...), não pode ser tida como o maior de todos os escapes pra minh’alma, mas disso eu sei direitinho, podem deixar (pros os casos de “salvação” espiritual eu aprendi a tocar violão, diga-se de passagem). De fato, eu creio que nesse lugar que vocês colocam a vista agora, eu sempre devo é me preparar pra expor uma tentativa de burlar tanto aquela escrita que o Idealismo Transcendental me trouxe como aquela eterna pretensão que teima em bater em mim dizendo pra afogar o amargo de minha vida nas linhas desta página. Não! Eu prefiro é deixar as palavras fluir como elas bem o quiserem- já que nada disso me salvará. Então, pra mim é fácil e necessário esconder o principal... E quem sabe mesmo, e depois de muitos textos, eu tenha é aprendido que nem sempre a gente pode querer explicar as coisas direito? Quem sabe? No meu caso, detalhar pode ser perigoso e escrever é sempre uma confissão (acredite) por isso, espero que nem o desejo de contentamento através da escrita e nem a paixão por reluzir os velhos conceitos necessitem ser meu foco por aqui. Mas se tudo isso não fizer o menor sentido pra vocês, ah, perdão, meus amigos, perdão, eu acho que isso se deve ao fato de que nem eu mesmo sei de mim ao certo, sabia? Dá pra acreditar numa coisa dessas? Nem eu mesmo sei de mim! Valha-me Deus... Valha-me...



Everardo de Oliveira.

“como enfermeiras em filmes de guerra e violinos em canções de amor”

quarta-feira, 17 de março de 2010

Gosto de música instrumental porque não tem letra, sabia? As palavras, às vezes, e dependendo dos casos, meio que atrapalham. E isso me cansa um pouco. Hoje não me dou ao luxo de me cansar mais que o necessário. Acredite. Prometi a minha alma calejada que não a faria mal outra vez. Quanto a meu coração, prometi que não lhe enganaria mais - nunca mais. E a meu pobre analista, prometi que o orgulho não mandaria mais em minhas decisões; nesse sentido, meus amigos, saibam que tenho feito o possível pra realização de tal empreita. Eu juro! E né que tem dado certo? Uma coisa tem levado à outra, por exemplo: não me enganando, logo não irei me cansar (peço aos meus amigos filósofos, por gentileza, que dêem um desconto quanto à análise formal das premissas que estou prestes a vos expor) agora voltando: se não me canso, não preciso colocar em uso meu pretenso orgulho e minha pobre alma não volta ao ressentimento, e por aí vai...
No entanto, ninguém obra milagre, né verdade? Minha limitação é evidente e não posso dar um passo maior que a perna, entende? Só faço o que posso (até porque não sou santo) e não jogo mais porque, já disse, isso cansa e se me cansa... Por aí vai...
Aliás,quero que saibam que adoro música instrumental.Tal vez porque esse tipo de música não usa palavras desnecessárias. Se o título diz, por exemplo: EU TE AMO. O que mais você pode esperar do diabo da melodia dessa canção? Não adianta você escrever a porra de uma carta pro compositor perguntando o que ele queria dizer na música. Não adianta. Tá lá e pronto. Não há jogo por trás. Não há jogo e não há tão pouco o que se inventar. Agora, se fosse uma canção qualquer, súbita, dessas que a gente vê todo dia, aí sim! Mas ainda precisar de frases e mais frases pra entender aquilo que há de mais imediato... me poupe! Até parece que você não entendeu os dias que passou junto aquele compositor! Olha, sinceramente: ta escrito lá! Não invente, por favor. Só assim você não se cansa e se você não se cansa... por aí vai... por aí vai...



Everardo de Oliveira.


“Como enfermeiras em filmes de guerra e violinos em canções de amor”