quarta-feira, 7 de julho de 2010

Demoro séculos pra escrever aqui, eu sei. Na verdade, meus dias foram (ou são) mergulhados em um tipo de intensidade demasiado exaustiva que se fosse preciso relatá-la constantemente eu seria constrangido, sem sombra de dúvida, a enxergar os caminhos tortos que escolhi pra viver e (convenhamos) não é isso que ninguém quer da vida, ou seja, tirar a sujeira debaixo do tapete e esfregá-la na própria cara... Acho mesmo que é isso aí que Cazuza sempre expressara quando disse que iria pagar a contar do analista, sabia?... Quer dizer, deixar fluir é em última análise extremamente necessário na porra dessa vida.
Entretanto, meus amigos, quando me coloco frente a essa máquina pra escrever não me parece que isso seja algum tipo de exercício que possa manifestar algum tipo de alegria em mim. Pelo contrário! O que me provoca alívio imediato está infelizmente distante dos meus braços (se é que vocês me entendem...). No entanto, a escrita aqui, pelo menos pra mim que fui adestrado de modo firme pra saber reluzir cuidadosamente os velhos conceitos clássicos (...), não pode ser tida como o maior de todos os escapes pra minh’alma, mas disso eu sei direitinho, podem deixar (pros os casos de “salvação” espiritual eu aprendi a tocar violão, diga-se de passagem). De fato, eu creio que nesse lugar que vocês colocam a vista agora, eu sempre devo é me preparar pra expor uma tentativa de burlar tanto aquela escrita que o Idealismo Transcendental me trouxe como aquela eterna pretensão que teima em bater em mim dizendo pra afogar o amargo de minha vida nas linhas desta página. Não! Eu prefiro é deixar as palavras fluir como elas bem o quiserem- já que nada disso me salvará. Então, pra mim é fácil e necessário esconder o principal... E quem sabe mesmo, e depois de muitos textos, eu tenha é aprendido que nem sempre a gente pode querer explicar as coisas direito? Quem sabe? No meu caso, detalhar pode ser perigoso e escrever é sempre uma confissão (acredite) por isso, espero que nem o desejo de contentamento através da escrita e nem a paixão por reluzir os velhos conceitos necessitem ser meu foco por aqui. Mas se tudo isso não fizer o menor sentido pra vocês, ah, perdão, meus amigos, perdão, eu acho que isso se deve ao fato de que nem eu mesmo sei de mim ao certo, sabia? Dá pra acreditar numa coisa dessas? Nem eu mesmo sei de mim! Valha-me Deus... Valha-me...



Everardo de Oliveira.

“como enfermeiras em filmes de guerra e violinos em canções de amor”

1 comentários:

Ângela Calou disse...

Sim, talvez mesmo quase sempre não dê pra explicar as coisas direito. Sempre ao seu estilo, a saber, um texto com estilo.

Stranger =]